Na aldeia Guarani, o canto originário se une à música erudita para celebrar o retorno da obra clássica, composta por Carlos Góes e inspirada no romance do escritor José de Alencar.
Conheça.
Nova montagem da ópera “O Guarani” tem atores indígenas no elenco Indígenas da etnia Guarani vão subir ao palco do Theatro Municipal de São Paulo pela primeira vez para encenar a ópera que leva o nome deles.
O encontro entre acordes é inédito, curioso, emociona até o maestro mais experiente.
“A música é universal, e a música deles tem uma pureza, é uma celebração religiosa, uma celebração de gratidão.
Tem essa linguagem universal em que não existe fronteira”, conta o diretor musical de "O Guarani", Roberto Minczuk.
Na aldeia Guarani, em São Paulo, o canto originário se une à música erudita para celebrar o retorno de uma obra clássica: a ópera "O Guarani", composta por Carlos Góes.
A estreia mundial da ópera, inspirada no romance do escritor José de Alencar, foi em 1870, na Itália, e colocou o Brasil no cenário musical.
“Quando ele estreou em Milão, ele foi um sucesso tão estrondoso que havia filas e filas de pessoas para assistir.
Carlos Gomes é um gênio brasileiro, a música dele não deve nada a qualquer grande compositor do mundo”, afirma Minczuk.
É com um novo arranjo que essa história mundialmente conhecida agora conta com a presença de indígenas representando a própria cultura.
Pela primeira vez, a Ópera "O Guarani", criada há mais de 150 anos, vai ser recontada com um outro olhar.
“Uma coisa é José de Alencar tentando fundar o Brasil e uma cultura brasileira genuína e única no meio do século 19.
Outra coisa é o século 21 em que a gente sabe, ou se reconhece, como um país multiétnico, plurilinguístico.
A gente não busca uma cultura, a gente busca confluência de culturas múltiplas que formam os vários ‘Brasis’”, explica a diretora cênica, Cibele Forjaz.
Até mesmo as paredes do Theatro Municipal de São Paulo se tornaram tela da cultura originária: obra do artista plástico indígena Denilson Baniwa.
O escritor e líder indígena Ailton Krenak foi responsável pela concepção geral da ópera.
“A ópera, o canto lírico, ele vem da Europa.
Os Guaranis estão trazendo o que a gente poderia entender, que é uma sonoridade daqui, dessa terra, da floresta.
E ele é executado pelo coral e Orquestra Guarani, que também é uma inovação”, diz Ailton Krenak.
A ópera conta a história de amor entre Peri, um jovem guarani, e Ceci, filha de um nobre português.
O romance dos dois é permeado por conflitos entre exploradores e outros povos, como os Aimorés.
Peri e Ceci são interpretados por cantores líricos e também por atores indígenas.
Davi vive o ‘Peri-eté’, em guarani, Peri verdadeiro.
“E foi um dos questionamentos que eu fiz quando eu entendi quem era o Peri que o Carlos Gomes tinha criado.
Eu falei: 'cadê o povo Guarani?'.
É o reconhecimento de uma história de luta, e o reconhecimento de que nós Guarani nunca deixamos de lutar para ser Guarani”, explica o ator e líder indígena David Vera Popygua Ju.
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Publicada por: RBSYS
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